Fossas sépticas biodigestoras

Fossas sépticas biodigestoras

Fossas sépticas biodigestoras – Solução tecnológica, de fácil instalação e custo acessível, que trata o esgoto do vaso sanitário (ou seja, somente a água com urina e fezes humanas) de forma eficiente, além de produzir um efluente que pode ser utilizado no solo como fertilizante. O sistema básico, dimensionado para uma residência.

E a única manutenção é adicionar mensalmente uma mistura de água e esterco bovino fresco (5 litros de cada), que fornece as bactérias que estimulam a biodigestão dos dejetos, transformando-os em um adubo orgânico, de comprovada eficácia e segurança. O tratamento não gera odores desagradáveis, não procria ratos, moscas e baratas.


Fossa Biodigestora: solução para áreas rurais e favelas

A fossa biodigestora pode dar uma importante contribuição para o saneamento básico que ainda é um imenso desafio no Brasil. Um país com dimensões continentais, uma população predominantemente urbana mas ainda com uma vasta área rural precisa difundir as técnicas simples e baratas de saneamento ambiental para casas.

Sua participação na poluição de rios e lagos é ainda muito significativa e muito paradoxal haja vista que a água dos rios é fundamental para a agropecuária. Se nas grandes cidades o problema da falta de saneamento básico em relação ao esgoto é um problema caro e de solução complicada, sem contar com a falta de interesse dos gestores públicos.

“A fossa biodigestora é um sistema de biodigestão anaeróbica, com ausência de oxigênio, composta por no mínimo três caixas d’água de fibrocimento ou fibra de vidro em série, tubos e conexões de PVC, válvula de retenção e registros.  Segundo os pesquisadores, para uma casa com até cinco pessoas o sistema deve contar com caixas de mil litros cada.

O sistema foi dimensionado para que os dejetos depositados nas caixas fermentem por no mínimo 25 dias, período suficiente para uma completa biodigestão, e a produção do efluente pode ser utilizada como fertilizante de alta qualidade na agricultura, segundos os técnicos.”


Fossa biodigestora e a fossas sépticas deve substituir as rudimentares

O sistema visa substituir as fossas rudimentares, no caso das propriedades rurais e as valas, no caso das favelas (assentamentos urbanos informais) que são potenciais contaminadoras do solo e lençol freático. A fossa biodigestora tem a proposta de eficiência e baixo custo no tratamento de esgoto doméstico, gerando, entre outros, a água de reuso.

 Segundo o coordenador técnico da Unidade da Embrapa-Clima Temperado, localizada em Pelotas-RS, o engenheiro agrônomo Carlos Medeiros, explicou que o sistema de biodigestão desenvolvido pela Instituição pode ser implantando pelo custo unitário aproximado de R$ 1.600 e possui a vantagem de apresentar uma manutenção simplificada.

Evita contaminação do meio ambiente, gera produtividade saudável e economia em insumos na agricultura familiar. A falta de saneamento básico aliado à inexistência de políticas públicas que o promovam, estão entre os principais fatores limitantes à melhoria da qualidade de vida nas áreas rurais.

Através de levantamento realizado junto à literatura existente, foi possível reunir dados que corroboram com essa proposta. Ao analisar os dados, foi possível constatar que as fossas sépticas biodigestoras são uma tecnologia de tratamento de efluentes adequada a essas áreas, que além de proporcionar a salubridade da população local e do meio ambiente.

pode promover a melhoria econômica das famílias, por meio da utilização do biofertilizante gerado a partir dos efluentes finais, em suas plantações e pastagens. No Brasil, 29,9 milhões de pessoas residem em áreas rurais, o que representa aproximadamente 16% da população brasileira, segundo o último Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010.

Conforme relata a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA, 2012), nas áreas rurais existe um número significativo de domicílios dispersos, e a inexistência de rede coletora de esgotos nas áreas mais concentradas, levam as famílias a buscarem alternativas de esgotamento sanitário, como fossas rudimentares, fossas sépticas, entre outras formas.

A Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios realizada em 2009 aponta a existência de 8,8 milhões de residências rurais, aproximadamente, onde apenas 5,7% dos domicílios estavam ligados à rede coletora de esgotos e outros 20,3% dos domicílios utilizavam fossas sépticas como alternativa de esgotamento sanitário (IBGE, 2009).

A maior parte dos domicílios visitados, 56,3%, utilizaram outras soluções, muitas vezes, inadequadas para a destinação dos dejetos, como valas, fossas rudimentares e despejo do esgoto in natura diretamente nos cursos d’água, colocando a saúde da população e do ambiente em risco iminente de contaminação.


Tabela – Esgotamento sanitário em áreas urbanas e rurais

Área N° Total de Domicílios

Urbana 49.827.000 60,8 19,7 18,5 1,0 100,0

Rural 8.750.000 5,7 20,3 56,3 17,7 100,0

Total 58.577.000 52,5 19,8 24,2 3,5 100,0


Projeto Fossa Séptica Biodigestora com Caixa D’água de Baixo Custo

Quem mora em áreas rurais sem saneamento básico, sabe muito bem sobre os problemas referentes a saúde. Para ajudar com isso, muitas famílias vem construindo as fossas sépticas biodigestoras, que ajudam a combater doenças, verminoses e endemias, pois evitam o lançamento de dejetos humanos no solo, que contaminam toda a área, rios, lagos, poços, entre outros.

As Fossas Sépticas Biodigestoras são uma excelente alternativa de Saneamento Básico na Área Rural e podem contribuir para o Desenvolvimento Local. Afinal, o sistema biodigestor tem tripla função:

Previne contra doenças

Protege o lençol freático (água do poço)

Produz adubo orgânico de qualidade.

Entretanto, é indispensável a efetiva participação e o sincero interesse das comunidades. Também precisa ser um instrumento de política pública de apoio ao agricultor familiar. No campo, a vida vai agradecer.

Desde o início desta década, as Fossas Sépticas Biodigestoras estão modificando a qualidade de vida de milhares de famílias que vivem na área rural do País. É uma solução desenvolvida pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), na unidade de Instrumentação Agropecuária, no município de São Carlos, em São Paulo.

Em 2003, a experiência ganhou mais divulgação e reconhecimento ao conquistar o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social. O investimento da Fundação foi de 1,8 milhão para a implantação de 1.200 unidades em dez municípios dos estados de Goiás e Minas Gerais, além de cidades do Distrito Federal.

Já a Embrapa calcula ter atendido 5.000 famílias em vários pontos do País. Outros produtores em diferentes localidades adotaram a Tecnologia Social, por vontade própria ou com apoio de organizações coletivas ou públicas. Já não se sabe quantas unidades foram implantadas pelo Brasil, com benefícios para a saúde dos camponeses.

A subsistência das famílias e para diminuir os custos da produção e elevar a renda dos trabalhadores rurais. Mas, na verdade, é preciso fazer muito mais para melhorar o cotidiano da grande maioria da população do campo, onde apenas 10% dos habitantes têm acesso a saneamento básico, com a destinação correta dos dejetos humanos.